Doença celíaca é uma intolerância permanente ao glúten que acomete indivíduos com predisposição genética. O glúten é a principal proteína presente no trigo, na aveia, na cevada (em seu subproduto malte) e no centeio. Geralmente se manifesta na infância, mas pode surgir em qualquer idade adulta. Estima-se que a doença celíaca atinja pouco mais de 1% da população ocidental. No Brasil, os números vêm aumentando.
A gastroenterologista Maria do Carmo Friche Passos, alerta que a doença agride e danifica as camadas da mucosa do intestino delgado e prejudica a absorção dos alimentos. Segundo a especialista, a doença caracteriza-se pelos sintomas como: diarréia crônica, desnutrição com déficit do crescimento, anemia, emagrecimento e falta de apetite, distensão abdominal, vômitos, osteoporose, esterilidade, abortos de repetição, glúteos atrofiados, pernas e braços finos, apatia, desnutrição aguda que podem levar o paciente à morte na falta de diagnóstico e tratamento.
De acordo com a gastroenterologista, o diagnóstico da doença pode ser feito por uma escala de exames de sangue, fezes, incluindo biópsia endoscópica duodenal por endoscopia. “O tratamento consiste na abstinência definitiva de alimentos que contém glúten e pela reposição de tudo que possa resultar da deficiência da absorção intestinal”, explica.
A nutricionista Ermelinda Lara, que há 30 anos trabalha com esses tipos de doenças, disse que o grande desafio é buscar alternativas para que o paciente possa ter uma nutrição específica. Ela conta que atualmente já é possível encontrar vários produtos comuns na versão sem glúten, como pizzas, pães, bolos, biscoitos, doces e bebidas. Para ela, é muito importante aprender a detectar o glúten em preparações, lendo os rótulos das embalagens dos alimentos ou entrar em contato com o fabricante daquele produto. “A preparação da refeição deve ser feita com atenção, para evitar a contaminação de produtos livres de glúten. Por isso, não se deve utilizar o mesmo óleo para frituras, não misturar os utensílios e higienizar bem os equipamentos antes de utilizá-los. Se possível, procurar ter itens exclusivos para o preparo de refeição sem glúten”, ressalta.
Ermelinda Lara explica que não há tolerância para o consumo de glúten. “As pequenas quantidades podem desencadear sintomas indesejáveis e resultar em consequências graves ao longo prazo. Muito cuidado com produtos industrializados. Ler sempre os rótulos antes de comprar”, conclui.
A presidente da Associação dos Celíacos do Brasil
O estudante, Bruno Capanema Nogueira, de 19 anos, disse que tem a intolerância desde os seis anos de idade. Ele conta que se lembra quando recebeu o diagnóstico do médico e ficou triste de não poder comer doces. “Hoje eu faço a dieta tranquilamente, tenho acompanhamento médico e com isso tenho tido uma melhora. E o segredo é seguir sempre a dieta para com isso viver tranqüilo levando uma vida saudável”, ressalta.
O gerente de projetos, Marcelo Ribeiro Araújo, de 36 anos, proprietário da loja BH-Sem Glúten, disse que é portador da intolerância desde 2008. Ele conta que seu problema é tão sério que não pode comer absolutamente nada que contém glúten. “Como era muito difícil encontrar os produtos sem glúten nessa época, resolvi abrir meu próprio negócio. Essa loja tem um leque enorme de opções onde eu fabrico e comercializo os produtos. É a única fábrica especializada
Segundo Marcelo, com os produtos da fábrica, consegue ter equilíbrio na sua alimentação e com isso passou a ter uma vida mais saudável. Ele admite que o melhor a se fazer é sempre procurar um especialista para fazer um checkup e ficar sempre atento cuidando da saúde.
Fábrica – Rua Turqueza, 226 – Prado
Alessandra Prenassi
Lourdes Maciel